
Tristeza e vergonha de saber que esta é a espécie da qual faço parte. A espécie que infezlimente eu sou. E isso me gera um sentimento de revolta tão grande, mesmo não sendo o meu povo, mesmo não sendo judia ou qualquer outra coisa que envolva todo aquele massacre constante.
E lendo histórias reais, sobre cada detalhe do que aconteceu com um povo, eu me sinto tão mal. Por às vezes reclamar da minha vida, por já ter jogado comida fora, enquanto tantas pessoas mendigavam alguma comida, os verdadeiros “sonhadores de pão”, que vemos nos livros. A triste e cruel batalha que viviam a cada dia, a miséria, a fome, as doenças, a discriminação interminável de um bando de patriotas sem coração.
Com os diários escritos durante a Guerra, sobre as coisas que viam, é notável a tristeza que me aflige. É insuportável eu saber as coisas que aconteciam, as famílias que separavam, as crianças que ficavam órfãs sem ao menos saberem o motivo de tanto ódio por elas, a mudança brusca de vida que tinham que passar, o fato de ver um trem partindo e saber que o mesmo jamais voltaria com as pessoas que lá dentro estavam. E o fato dessas pessoas que estavam lá dentro já saberem o destino que as esperava nos campos de extermínio.
E enquanto hoje estamos aqui, reclamando da vida, reclamando de tudo, existiu um povo que foi humilhado até o último minuto de suas vidas, enquanto um soldado alemão divertia-se ao espancar um judeu ou ao mandar meninas tirarem a roupa e ao ouvir o grito de seus pais, batê-los com um cassetete de borracha. Sim, apenas pela ridícula e absurda satisfação pessoal de um desumano.
Se você hoje acha que sua mãe pega demais no seu pé, então agradeça muito por isso. Agradeça, pois milhares e milhares de crianças tiveram que se separar de suas mães sem saberem o motivo, tiveram de vê-las partirem sem saber que rumo elas tomariam, tiveram de passar meses longe delas até alguém levá-las para morrerem sufocadas com gás ou queimadas. Agradeça por viver seja lá aonde for que você viva, pois tantas pessoas foram obrigadas a saírem de suas casas para viverem em qualquer lugar, isoladas por serem discriminadas, sonhando todas as noites em acordar com um pedaço de pão. Sem a família, sem os amigos, sem tudo o que um dia tiveram. Até mesmo sem roupas.
E enquanto hoje estamos aqui, reclamando da vida, reclamando de tudo, existiu um povo que foi humilhado até o último minuto de suas vidas, enquanto um soldado alemão divertia-se ao espancar um judeu ou ao mandar meninas tirarem a roupa e ao ouvir o grito de seus pais, batê-los com um cassetete de borracha. Sim, apenas pela ridícula e absurda satisfação pessoal de um desumano.
Se você hoje acha que sua mãe pega demais no seu pé, então agradeça muito por isso. Agradeça, pois milhares e milhares de crianças tiveram que se separar de suas mães sem saberem o motivo, tiveram de vê-las partirem sem saber que rumo elas tomariam, tiveram de passar meses longe delas até alguém levá-las para morrerem sufocadas com gás ou queimadas. Agradeça por viver seja lá aonde for que você viva, pois tantas pessoas foram obrigadas a saírem de suas casas para viverem em qualquer lugar, isoladas por serem discriminadas, sonhando todas as noites em acordar com um pedaço de pão. Sem a família, sem os amigos, sem tudo o que um dia tiveram. Até mesmo sem roupas.
E no meio desses guetos, elas conciliavam uma semi-vida com a guerra. Nesses guetos elas assistiam a tantos crimes, tantos horrores; nesses guetos elas procuravam por qualquer alimento para dividirem entre si; viviam numa situação que eu, por mais livros, reportagens, notícias que procuro saber, jamais, absolutamente nunca saberei o que foi realmente tudo aquilo.
E sem recorrer a nada. Não havia nada a que recorressem. Se algum soldado ridículo cometesse qualquer ato que não fosse considerado muito certo – o que era praticamente impossível, já que tudo era certo quando se tratava de violência -, não poderiam recorrer a nada. A lei realmente não protegia os judeus. E a menos que você fosse muito bem de vida, para cometer um suborno ou que sua mãe fosse norte-americana ou coisa parecida, teria um pouco de privilégios.
E naquelas câmaras de gás, 6 milhões de judeus morreram. Entre eles, 1 milhão e meio de crianças pagaram por coisas que não sabiam o que eram. 1 milhão e meio de crianças que desejavam apenas realizar seus sonhos infantis, brincar, ser saudável como todas as outras que tinham esse direito.
E pagaram pelo desejo de matar de um louco psicopata, e de sua sociedade que o apoiava e que também tinha sede de sangue.
É difícil eu ter que parar e escrever tudo isso. E eu me sinto na obrigação de expressar o que sinto, que é o tal do ódio. Eu realmente odeio tudo o que tenha a ver com aquele povo, com as leis de Hitler, com as coisas ridículas que aconteciam. E me sinto triste por pertencer a espécie que cometeu tudo isso.
Ah meu Deus, o que se tornou o ser humano (?) omg (...)



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