
Conforme o tempo você acaba por descobrir que a vida não é um mar de rosas, que a trilha não terá somente flores, que o sol não brilhará todos os dias e que a chuva também aparecerá às vezes para ver até onde vai a tua força. Conforme a vida corre, conforme você a leva, vai descobrir que algumas coisas que parecem imutáveis se deslocam, se modificam, e você nem sabe porquê e quando isso aconteceu. Os anos lhe ensinam que Locke tinha razão quanto à teoria da tábula rasa do conhecimento, e que sim, somos um papel em branco que só é provido de caracteres conforme o tempo, quando se adquire experiência.
Eu demorei para entender. Demorei para crer que existem falsas pessoas. Eu, até então, achava que a vida era um conto de fadas do qual eu teria um final feliz. Eu ainda acredito em finais felizes, afinal. Por que não acreditar? Apesar de todo o mal que nos rodeia, a fé ainda me diz que há pessoas nas quais confiar, que há pessoas que sabem amar, que sabem ser amigas em todas as horas. Eu ainda creio que há um pouco de coesão em tudo isso, se não, de nada valeria viver. De nada valeria continuar lutando sem pessoas pelas quais compartilhar a felicidade, a tristeza. De nada me valeria a pena continuar seguindo se não fosse para poder ajudar os outros. É por isso que sou um tanto quanto indecisa. Sempre digo que não me vejo trabalhando para sempre em um escritório fechado fazendo relatórios e atendendo ligações, não é nada contra a profissão, é que a minha personalidade diz que eu vim para ajudar. Meu lema aqui é poder colaborar, pois eu me sinto feliz quando vejo que tenho êxito nessas tarefas e que, vez ou outra, ainda consigo arrancar algum sorriso sincero das pessoas que amo quando estas estão tristes e abatidas.
Eu custei a notar que o coração quebra, sim, e que o culpado disso é a pessoa que você menos esperou que fosse. Tardei a despertar do sonho para finalmente reconhecer que o mundo é um pesadelo. Provavelmente na minha – que creio que posso chamar – singeleza, eu ainda cria que todos fossem como eu. Que as pessoas fossem tão ingênuas quanto as minhas palavras. Que os gestos fossem tão modestos quanto eu imaginava que fossem. Infelizmente a gente se decepciona. Infelizmente a vida te mostra que o nosso tão amado poeta, certíssimo era quando cantava “se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo”, e por mais bela que seja a frase, ainda esperamos que ela não seja verídica. Por vezes ainda restam vestígios da inocência que nos quer fazer acreditar que é mentira, que também se pode confiar em outrem. Como disse na frase acima, e apesar da veracidade dos fatos, eu ainda quero crer.
É nessas frases que sinto a minha contrariedade tão aflorada, ora dizendo que confio, ora dizendo que não. Não vou pedir-lhes que me entendam quando esta tarefa nem mesmo eu a sei. Vou pedir-lhes apenas que não demorem a pensar nesses fatos, que não se iludam como me iludi, e que ao máximo tentem não cometer os mesmos erros. São palavras de amiga que, ainda que não os conheça, lhes quer bem como a ela mesma. Que somente não nos esqueçamos que as palavras ferem ao mesmo tempo que podem mudar vidas, o poder das palavras. Que às vezes quem mais confiamos, quem mais admiramos, é quem nos faz crer que ainda existem bilhões de tolos querendo nos persuadir com falsas palavras. Não vejamos quantidade, vejamos qualidade. Não é que os bons são “maioria”, acho que isso não se refere a uma contagem. Corações não são apenas números, são vidas, são sentimentos, são personalidades e são o que movem ou não o mundo. É simples: razão ou emoção. Basta saber de qual lado você está.
Nenhum comentário:
Postar um comentário