
São esses e tantos outros motivos que me levam a pensar no passado, a fazer uma reviravolta em minha cabeça. Não me pergunte por quê, se eu quero, se eu forço, eles simplesmente vêm, e o sofrimento torna-se menor quando os deixo tomar conta.
Eu sempre me perguntei, eu sempre vou tentar acreditar que você entende, que você não faz de propósito, eu sempre exagerarei na dose de acreditar no inútil, no irreal. Eu confesso que me tornei boa nisso, que consegui superar a realidade para viver um mundo imaginário. O mundo dos meus livros, tudo aquilo que eu acreditava ser fantasia… Mas cá entre nós, eu queria tanto estar lendo esse livro agora, eu queria tanto poder dizer que não passa de uma história fictícia, eu queria poder acreditar em tudo o que eu queria que fosse real mas não é! Eu queria tanto os sorrisos de antes, os olhares de antes, sentir sua falta como antes.
Pena. Sinto apenas vazio incontrolável, raiva infinita por tantas coisas que depois de segundos passam e temores que outrora não me atormentavam, mas deixe, agora eu sou outra.
Assim como reconheci você e no que você se tornou, queria poder olhar-me no espelho e ver no reflexo o que acabei me tornando por tua causa, o que acabei passando por cima, o que deixei pra trás por coisas tão ridículas das quais me arrependo profundamente. Eu me pergunto se em momento algum você se pôs no meu lugar, se em tantas vezes você não pensou no que eu poderia estar sentindo e se sim, você imaginava que não era nada de mais. Algo sem importância, é claro. Eu devia sim ter enxergado antes, ter ficado atenta, aberto os olhos… Mas eu aprendi que não se pode ter tudo. Você escolhe a realidade ou o ilusório. Eu escolhi o que não existe, então jamais viverei algo verdadeiro, jamais viverei a realidade que eu tanto almejei! Não culpo ninguém; a vida dos livros foi eleição minha, e assim como as consequências que teria o real, eu tenho-as na minha imaginação…
Eu continuarei, eu ainda vou optar pelo melhor para mim, eu ainda vou abrir os olhos e ver aonde estou cavando o meu buraco, ver o que eu fiz de minha vida. É somente o meu pensamento de todas as noites, e eu realmente espero que não perdurem o tempo que eu vejo que perdurarão, logo que acho que o preço pela vontade de ser feliz não deve ser assim, tão rigoroso e cruel, se eu sempre preferi o meu melhor. Ainda não sei decidir, afinal, este preço é o da felicidade ou o do egoísmo? Não importa, eu espero já ter pago, e se ainda não o fiz, eu só peço que não me dure a eternidade, pois na realidade, na fantasia, eu preciso continuar seguindo.
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