"Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar." Clarice Lispector
domingo, 31 de julho de 2011
, Transição
E eu acabei parando para pensar nos velhos tempos. Aqueles que não voltam de forma de nenhuma. Das travessuras de criança, onde eu ainda não enxergava tudo tão fútil, onde eu ainda não era essa adolescente que reclama do mundo e de tudo. E os meus únicos afazeres eram me divertir bastante, brincar, ter conversas sadias com os meus coleguinhas do jardim de infância. Não havia malícia, as conversas eram boas, as brincadeiras eram mais emocionantes, tinha cor, tinha vida. A felicidade baseia-se numa criança brincalhona. Depois, mesmo ainda tão nova, as preocupações vêm. Começam com poucas coisas, depois aumentam.
Aí depois de alguns anos, você é obrigada a conviver com pessoas falsas, porque elas aprendem a fingir. Você é obrigado a aceitar que vive numa sociedade como essa. E é tão mal assim eu ainda não ter conseguido? Aí, depois de alguns anos, você precisa tomar escolhas que montarão a sua vida inteira. Sim, você precisa decidir o que quer ser até o resto de sua vida. Isso não é uma coisa triste? As pessoas ainda reclamam da vida rotineira que têm. Seria impossível ser o contrário se aquela escolha de vinte anos decidiu toda a sua vida, tudo o que você faria dela. Depois de um tempo, você começa com a vaidade, coisa que quando criança não era frequente. Você sente que precisa estar bem, e só se sente bem de determinadas formas. Sofre por amor, chora, tenta consolar… Depois de um tempo, tudo muda. E ser adolescente, é passar pela fase na qual você começa a perceber todas essas mudanças.
E ainda não querem que eu seja revoltada.
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